Método Rolf - Integração Estrutural

Corpo alinhado e sem dores crônicas na coluna e articulações

Ida Rolf e os dois paradigmas da saúde

Pesquisa e os dois paradigmas

É fácil compreender como a revolução biomédica veio relegar o holismo. A medicina científica e o método científico moderno fazem um casamento perfeito. Ambos estão firmemente enraizados em suposições cartesianas… que o universo é composto por partes distintas que podem ser isoladas, estudadas e compreendidas. O relacionamento entre as partes importa, mas a natureza de cada uma delas pode ser estudada e compreendida sem relação com as outras.

TextoAs contribuições do ponto de vista reducionista à medicina foram enormes. Exemplos óbvios são a cirurgia moderna e o tratamento dos traumatismos. Outro exemplo é o campo das doenças infecciosas, onde vidas incontáveis foram preservadas por causa das descobertas feitas pela medicina científica. As grandes pragas que mataram milhões durante toda a história da humanidade são agora em sua maior parte evitáveis e tratáveis. (Ironicamenete, muitas das lutas contra as grandes pragas validaram as proposições de Hipócrates – manter limpas as fontes de água, lavar as mãos, manter o ambiente livre de dejetos orgânicos, foram algumas das descobertas avançadas que ajudaram a limitar as doenças mais perigosas.) Além disso, o método científico forneceu um modelo para a investigação rigorosa, que foi adotado por todas as ciências.

Entretanto, de várias maneiras, nós estamos testemunhando hoje a revolução biomédica levada a seu extremo lógico. Se os seres humanos são máquinas biológicas, então a biologia é a resposta para todos os problemas. O que nós vemos agora é a adoção de drogas para cada aflição concebível, para cada aberração da norma, tanto física como emocional. A união do método científico e da medicina biológica conduziu ao Viagra, ao Prozac…e a todas as pílulas mágicas.

Por outro lado, o holismo e o método científico têm um relacionamento difícil. Uma das suposições básicas do holismo - a primazia do relacionamento, o interconexão de todos os aspectos do universo – torna o estudo das partes muito mais do que um desafio. O holismo resiste por natureza à noção de isolar - o ato de isolar ou separar em partes a fim de atender às finalidades da pesquisa conduz a um resultado incompleto e parcial.

Assim a pergunta que se apresenta é: pode a pesquisa eficaz ser feita dentro do paradigma holístico? Usando a Integração Estrututal como exemplo: uma disciplina pode ser mais completamente holística? Uma disciplica que considera o ser humano como uma relação no interior do campo gravitacional - Einstein e Heisenberg ficariam orgulhosos. Entretanto, que parte da Integração Estrutural é fundamental? A seqüência da série de sessões? O relacionamento entre o profissional e o cliente? As técnicas usadas? A experiência e o treinamento do profissional ou sua habilidade para trabalhar? Sua habilidade para escutar, sua inteligência, sua capacidade para acolher? A vontade do cliente de mudar? Que sessão é mais importante? Como separar todos esses aspectos de todo o processo?

Um exemplo vívido da diferença entre os dois paradigmas é o efeito placebo (definido por padrão como uma melhoria na saúde que não é atribuível ao tratamento). O paradigma cartesiano considera o efeito placebo como um fator que deve ser isolado a fim de que se possa avaliar a eficácia de um tratamento. O holismo adota o efeito placebo considerando que a opinião, a psicologia e as expectativas do cliente em relação ao tratamento são uma parte vital do próprio tratamento, de modo que o próprio conceito, útil no reducionismo, não tem sentido no holismo.

Dito isso, vemos que o holismo tem muito a aprender com Descartes. Desde os seus primórdios, o holismo teve um problema com rigor. Foi tradicionalmente demasiado fácil e tentador para os profissionais holísticos escrever sobre seus assuntos sem levar em consideração suas falhas ou passos em falso, sem o teste rigoroso de suas idéias, e sem certificar-se de que seus tratamentos fazem realmente o que prometem fazer. Havia alguma verdade nas críticas de Abraham Flexner às escolas holísticas. Elas faziam proposições sem nunca incomodar-se em verificá-las. Até hoje, médicos holísticos reinvidicam os benefícios de sua abordagem sem um fragmento sequer comprovação, com excessão dos “casos selecionados de sucesso”.
Este é um desafio para a Integração Estrutural, mesmo sem reivindicar a cura ou o tratamento de qualquer coisa. Como profissionais, temos uma inclinação forte para a pesquisa, para validar a eficácia do nosso trabalho. Mas, eficácia em que? Queremos que a pesquisa prove o quê em nosso campo? Desejamos a comprovação de que a Integração Estrutural melhora a saúde total, a vitalidade e o funcionamento? Definidos em que bases? Para provar nossa eficácia, a pesquisa deve começar por quebrar nosso trabalho ou seus efeitos, para separá-los em partes. Melhora o equilíbrio? Diminui a dor? Fornece mais energia. E, se provado, o que isso o que significa? Reforça o sistema imunológico? Diminui ou alivia os sintomas de uma variedade de doenças e condições?

É justo nos perguntarmos o que nós queremos exatamente da pesquisa. É igualmente importante considerar que a pesquisa é, em grande parte, um fenômeno que pertence a outro paradigma. Porque se é útil e poderoso e inteligente interagir com o paradigma cartesiano e o mundo da investigação científica, pode igualmente ser útil lembrar-se de que nós não pertencemos a esse paradigma. Nossas suposições são fundamentalmente diferentes. Descartes pode ser um parceiro maravilhoso de dança, com quem se pode investir tempo e aprender, mas que retorna para uma casa diferente da nossa.

Primeiramente, nós precisamos correr riscos, como faz cada disciplina que faz reivindicações a respeito de sua ação sobre a saúde e o bem-estar. É bom e saudável e honesto ser rigoroso e ter nossas reivindicações e opiniões examinadas continuamente. Como filhos de Hippocrates, esta é a grande lição que nós podemos aprender com Descartes - continuar a fazer perguntas difíceis sobre nosso trabalho e sobre o que ele realiza, e convidar outros fazerem o mesmo, e considerar se as respostas mesmo quando elas não vão de encontro a nossas expectativas ou esperanças.

Em segundo lugar, isso faz justiça à dra. Ida Rolf e a seu espírito de pesquisadora. Através dela, nós temos nossas raizes em Descartes. A mulher que criou nosso campo ergueu-se profissionalmente no mundo da medicina científica, e sua história é a história dos dois paradigmas, não de apenas um. Valorizar o que ela teve de melhor, e valorizar o espírito que corresponde às origens da Integração Estrutural, significa honrar o melhor de ambos os mundos.

Profissional certificado

Armando Macedo é profissional do Método Rolf certificado pela Guild for Structural Integration - GSI. Clique aqui e digite o nome do profissional no campo "find" correspondente a "Find Pratitioners" do site americano.

Atendimento: Rua Tuiuti, 2530 - conjunto 76, Tatuapé, São Paulo. Fones: (11)2097.1992 e (11)2768.1018.