Método Rolf - Integração Estrutural

Corpo alinhado e sem dores crônicas na coluna e articulações

Ida Rolf e os dois paradigmas da saúde

Duas Guerras

Tratamento da gripe espanholaDurante os primeiros anos da permanência de Ida Rolf no Rockefeller, o trabalho e o ambiente do instituto foram influenciados fortemente por duas guerras. Inicialmente, foi a Primeira Guerra Mundial. Embora a guerra tivesse começado na Europa em 1914, o presidente Woodrow Wilson havia decidido durante todo seu primeiro madato manter os Estados Unidos fora do conflito. Seu lema de campanha para a reeleição em 1916 era “ele nos manteve fora da guerra.” Só pediu autorização ao congresso para declarar a guerra em abril de 1917, depois de uma série de ataques alemães, com submarinos, a navios mercantes americanos. A declaração de guerra saiu em maio 1917.

Assim que a guerra foi declarada, virtualmente cada instituição pública e privada nos Estados Unidos foi convertida de uma ou outra forma ao esforço de guerra. Isto incluiu a maioria das instituições educativas. Nesse ambiente, havia o temor no Instituto Rockefeller de perder cientistas, fosse por alistamento ou por convocação.

Assim Flexner providenciou para que o instituto inteiro fosse incorporado ao exército. O Instituto Rockefeller transformou-se oficialmente no laboratório auxiliar número um do exército. Os cientistas receberam patente de oficial e eram saudados nos corredores pelos guardas de serviço e pelos técnicos, agora transformados em sargentos (o que naquele tempo incluía a dra. Ida Rolf). O trabalho da equipe de funcionários foi mudado. A maioria dos pesquisadores começou a instruir doutores militares ou a deslocar a pesquisa para assuntos relacionados à guerra. Pelo menos um bioquímico estudou o gás tóxico. Outros trabalharam com materiais para a fabricação de bombas. Outros treinaram médicos do exército para tratar doenças infecciosas. Como parte da equipe técnica (e como mulher), a Ida Rolf não seria provavelmnete oferecida uma patente. Não há nenhum registro de que lhe tenha sido oferecida uma, e é provável que tenha passado muito de seu tempo durante seus primeiros anos estudando e fazendo seu trabalho de doutorado na Columbia.

A Primeira Guerra Mundial, em que a dra. Rolf desempenhou um papel menor, foi travada também em laboratórios do mundo inteiro, e contra um inimigo muito mais mortal. Em fins de janeiro de 1918, no condado de Haskell, no Kansas, um médico local começou a observar pacientes que sofriam de algo que parecia ser particularmente violento, uma forma de gripe aguda e mortal. Segundo epidemologistas, um soldado em licença trouxe a gripe ao local e depois a levou de volta a sua base do exército , de onde ela se espalhou gradualmente através do país, através do oceano nos navios que conduzim as tropas, e possivelmente a quase cada canto da terra. Era o começo provável do que se transformou na praga mais mortal da história da humanidade, a pandemia de gripe de 1918-1919, em que de 50 milhões a 100 milhões de vidas foram perdidas.

É difícil conceber hoje o nível da histeria e do medo paralizante que varreram os Estados Unidos (e o resto do mundo), enquanto o vírus espalhava-se de uma cidade, uma base do exército, de um estado a outro. A tensão provocada pela gripe nunca fora vista antes, devido em parte à velocidade e a ferocidade com que matava. No mundo inteiro registraram-se casos em que populações que não exibiam de todo qualquer sintoma, no período de poucas horas de repente eram duramente golpeadas. E, ao contrário da maioria das manifestações conhecidas de gripe, ela golpeava indistintamente os membros mais vigorosos de uma comunidade - de algum modo, atacou os sistemas imunológicos das populações mais saudáveis tão de repente que sua própria resposta imunológica as matou, e as matou com uma velocidade frenética. Usando estimativas (aceitas hoje por muitos epidemilogistas como razoáveis), acredita-se que 5% da população do mundo foi morta pela gripe, e que uma percentagem muito elevada desse número era composta por adultos jovens, os membros mais saudáveis da população. A maioria das mortes ocorreu no mundo inteiro durante um período dramático de dezesseis semanas, no fim de 1918.

A epidemia foi apresentada da pior forma pela máquina de propaganda destinada a concentrar e manter o vigor do esforço de guerra. O governo não quis que o medo da gripe desviasse a atenção do país do trabalho de sustentação total da guerra, e assim a informação exata e verdadeira sobre a profundidade do perigo não foi comunicada ao público antes que já fosse demasiadamente tarde. O exército ignorou os conselhos (as medidas preventivas, mais exatamente) propostas por seu próprio general cirurgião e não tomou as proteções adequadas. Em conseqüência, suas bases foram devastadas pelo vírus.

As iniciativas públicas e privadas paralizaram-se - ninguém queria mais ficar perto de ninguém. Familiares morriam porque ninguém chegava perto do leito para ajudar, com receio do vírus. Devido à quantidade reduzida de médicos e enfermeiras disponíveis era mesmo impossível produzir um impacto mínimo na maioria das áreas.

Em fins de 1918, quando a segunda onda mortal da epidemia estava no ápice e a situação chegava a um ponto trágico , um esforço mundial e maciço de pesquisa tinha sido mobilizado para isolar o virus da gripe, encontrar tratamentos eficazes e desenvolver uma vacina. A comunidade científica centrou sua atenção (tanto quanto possível com a guerra ainda em pleno andamento) sobre a doença. Com o Instituto Rockefeller não foi diferente, e alguns de seus melhores e mais conhecidos cientistas dedicariam-se ao problema e passariam mais tarde a maior parte de suas vidas profissionais na pesquisa sobre a influenza, como ficou conhecida a gripe.

É possível fazer algumas suposições sobre a natureza da pesquisa realizada por Ida Rolf. Seu trabalho teve como foco a natureza dos fosfatídeos, em particular, da lecitina. A lecitina joga um papel chave na estrutura membranosa das células - sem ela, as células não poderiam manter uma estrutura distinta do ambiente que as circundam . A lecitina foi descoberta em 1846, e antes do trabalho da dra. Ida Rolf no Rockefeller, já era uma fonte de curiosidade na área da bioquímica. Parte do interesse pode ter tido a ver com a natureza dos vírus.
Quando um vírus ataca o corpo, muito da batalha de vida ou morte que é travada ocorre na membrana da célula. É na membrana que o vírus tenta unir seus ligamentos aos ligamentos próprios da célula (ou, no caso da gripe, onde desliza nas células dos pulmões, evitando totalmente sua detecção pelo sistema imunológico). Assim uma compreensão do papel da lecitina na estrutura da membrana celular seria importante para a compreensão do que ocorre realmente no ponto em que os vírus atacam.

Não se sabe se o trabalho da Dra. Ida Rolf com lecitina ocorreu no contexto do enfoque do Instituto Rockefeller em meio à epidemia da gripe, com o objetivo de compreender a natureza de como o vírus ataca o corpo. Mas vale a pena notar que Levene deu muito pouca atenção à lecitina até 1918, e a seguir publicou dúzias de artigos entre os documentos sobre o assunto, com Ida Rolf e outro pesquisador, ao passo que anos 30 pareceu perder o interesse no assunto. Assim seu trabalho foi provavelmente em parte ciência pura e em outra parte possivelmente estimulado pela pesquisa a respeito da gripe e doenças infecciosas.

Profissional certificado

Armando Macedo é profissional do Método Rolf certificado pela Guild for Structural Integration - GSI. Clique aqui e digite o nome do profissional no campo "find" correspondente a "Find Pratitioners" do site americano.

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