Método Rolf - Integração Estrutural

Corpo alinhado e sem dores crônicas na coluna e articulações

Ida Rolf e os dois paradigmas da saúde

Descartes e o alvorecer do reducionismo

DescartesE foi assim por dois mil anos. O curso da medicina ocidental continuou largamente imutável até o século XVII. Em 1628, anos depois das dissecações realizadas por Vesalius, William Harvey descreveu a circulação do sangue, um feito que frequentemente foi chamado de a maior realização na história da medicina (embora um médico muçulmano, Ibn Nafis, tenha recebido o crédito, no essencial, por essa mesma descoberta, séculos antes, no Cairo).

Mas a mudança realmente significativa ocorrida naquele tempo veio do filósofo René Descartes. No início do século XVII ele estabeleceu a noção de dualidade. A mente e o corpo humano seriam entidades distintas, e nenhuma poderia afetar a outra diretamente. Em sua visão dualista, tudo no campo da realidade física funciona de modo puramente mecânico. Descartes incluíu o corpo como parte da realidade física, concebendo-o como uma máquina biológica sem livre arbítrio.

Uma das propriedades da máquina ou mecanismo é que pode ser dividido em pequenas partes ou mecanismos menores. Pode ser reduzido a suas partes constitutivas. Assim o reducionismo cartesiano nasceu, estabelecendo o paradigma que iria mudar o curso da ciência e, mais tarde, igualmente o da medicina.

O dualismo foi útil naquele tempo – ele separou o físico do espiritual, e isso permitiu aos cientistas estudar o universo físico sem a ameaça de heresia por parte da Igreja. Abriu caminho para o trabalho revolucionário de Isaac Newton nos campos da matemática e da física e para o desenvolvimento do método científico. Mas a concepção do corpo como uma máquina conduziria mais tarde a uma abordagem puramente mecanicista da medicina e, durante os três séculos seguintes, minimizaria a compreensão dos efeitos da opinião e atitudes do paciente, suas emoções e a fé, e o poder do relacionamento médico-paciente sobre o processo de cura.

Descartes publicou em 1637 seu Discurso sobre o Método, o qual estabeleceu os fundamentos para o desenvolvimento do método científico. Esta foi uma contribuição crucial – o método científico poderia dar aos cientistas um meio para estudar a natureza. O livro deu ao reducionismo o instrumento para estudar sistematicamente as partes que constituíam os mescanismos físicos.

Enquanto os progressos nas ciências físicas explodiam após Newton, as coisas moveram-se mais devagar nas ciências biológicas. Na década de 1740, James Lind, dirigindo experiências controladas, descobriu que o escorbuto poderia ser prevenido por meio da ingestão de cítricos (e desde então os marinheiros britânicos são chamados de limeys). Somente em 1798, Edward Jenner publicou um trabalho que viria a ser uma baliza para o novo método científico. Ele descobrira a vacina contra a varíola. Tão ou mais importante que a descoberta foi o rigor de sua metodologia. Assegurou-se de que seus resultados fossem inquestionáveis e pudessem ser repetidos antes que viessem a público. Pela primeira vez, um pesquisador em ciências biológicas tinha oferecido sua própria mão à palmatória.

As descobertas vieram mais rapidamente no alvorecer do século XIX. Na França, Xavier Bichat descobriu que os órgãos eram compostos por um material discreto (frequentemente organizado em camadas) que ele chamou de “tecidos”. Pierre Louis começou a usar autópsias para comparar tecidos saudáveis com tecidos doentes. Na Inglaterra, John Snow engenhosamente usou a matemática para analisar uma manifestação de cólera e concluiu que a água contaminada havia causado a doença. Fundava assim o campo da epidemologia. E, na Alemanha, Jacob Henle e outros formularam a teoria do germe da doença, que viria a ser um marco no desenvolvimento da medicina no século XIX.

Microscópio eletrônico modernoAlguma coisa estava acontecendo que mudava substancialmente a relação médico-paciente. Pesquisadores (e depois também os clínicos) estavam então usando de forma cada vez mais difundida instrumentos para estudar e diagnosticar. O estetoscópio foi inventado. Médicos incorporaram o uso do termômetro, que havia sido inventado duzentos anos antes, para medir a temperatura corporal dos pacientes. Pulsação e pressão sanguínea eram mensuradas. O laringoscópio e o oftalmoscópio foram desenvolvidos. Mais significativo ainda, o miscroscópio com lentes acromáticas passou a ser usado na década de 1830 e um universo inteiro de possibilidades explodiu para os pesquisadores, permitindo o estudo de um mundo que nunca havia sido visto antes.

Entretanto, a confiança nos instrumentos criou uma nova distância entre o médico e o paciente. Médicos começaram a confiar menos em suas observações e em seus sentidos (uma referência central no pensamento hipocrático), e mais em instrumentos, números e dados. Para desânimo de muitos críticos daquele tempo (e de não poucos desde então), o corpo humano tornou-se um objeto a ser testado e provado (Descartes!), e os resultados analisados nos campos da matemática e da química.

Durante esse período, a Alemanha era o centro do universo médico. Numerosos laboratórios foram estabelecidos, com os grandes cientistas daquele tempo sondando ativamente a natureza do corpo, explorando suas partes e suas funções de maneira a que refletisse de forma exemplar o moderno método científico. Os escritores hipocráticos tinham acreditado que a natureza deveria ser observada passivamente para que as teorias fossem desenvolvidas. Os laboratórios alemães demoliram essa concepção – eles construíram experimentos controlados que estimularam, dividiram e manipularam a natureza para ver que segredos poderiam achar. Jacob Henle, o primeiro a formular a teoria moderna do germe, resumia o credo básico no novo método na seguinte fórmula: “A natureza só responde quando é questionada”.

O problema com tudo isso era que, tanto quanto era revolucionária na teoria, muito pouco a nova medicina era traduzida em novos tratamentos e na prevenção das doenças. As concepções antigas saíam de moda e os médicos cada vez mais abandonavam os tratamentos aceitos durante milhares de anos. Mas nada havia para subistituí-los. Formou-se um vácuo. (A medicina holística iria parcialmente preenchê-lo durante o século XIX, e ainda mais nos anos seguintes).

Ironicamente, algumas das descobertas práticas que podiam salvar vidas estavam no campo da limpeza e da higiene públicas. Cientistas descobriram que a água contaminada causava cólera, que o tifo era transmitido por meio dos alimentos e da água consumidos, que as pragas eram disseminadas por ratos infestados por pulgas. Os cientistas descobriam o poder de salvar vidas por meio da limpeza e da higiene, um fato apontado por Hipócrates vários séculos antes.

Enquanto as descobertas científicas fervilhavam na Europa durante o século XIX, a América passava ao largo da revolução. Os Estados Unidos experimentaram o mesmo vácuo a respeito de tratamentos efetivos existente na Europa, mas em acréscimo, a situaçao da pesquisa e da formação clínica estava tão catastrófica que o presidente da Harvard afirmou em 1869 que “a ignorância e a incompetência generalizada do graduado médio americano nas escolas médicas (…) é algo horrível de se contemplar”. Muitos estados não dispunham de licença para a prática médica. Muitas escolas médicas não dispunham de padrões admissionais, exceto a disponibilidade de pagamento das taxas. Nenhuma faculdade de medicina americana permitia a realização de autópisas e o cantato com pacientes. Nenhuma ensinava aos estudantes o uso de microscópios. Na metade do mesmo século, nenhuma universidade ou instituição médica na América dava suporte a qualquer pesquisa. Muitos médicos americanos faziam peregrinações para estudar nos grandes centros de pesquisa da Europa, mas eles retornavam para um gigantesco vazio, onde sua formação e habilidades não tinham como ser aproveitadas.

Profissional certificado

Armando Macedo é profissional do Método Rolf certificado pela Guild for Structural Integration - GSI. Clique aqui e digite o nome do profissional no campo "find" correspondente a "Find Pratitioners" do site americano.

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