Método Rolf - Integração Estrutural

Corpo alinhado e sem dores crônicas na coluna e articulações

Ida Rolf e os dois paradigmas da saúde

Método Rolf de Integração EstruturalNeste artigo, Sam Johnson situa o trabalho de Ida Rolf entre os dois modelos de saúde que presidiram - e ainda presidem - a medicina no mundo ocidental: o holismo e o método científico. Oferece a possibilidade de uma compreensão mais profunda da Integração Estrutural, criada pela bioquímica norte-americana, em seu contexto histórico e no interior do desenvolvimento das ciências médicas. Ida Rolf iniciou sua vida profissional no mundo da ciência mecanicista, que tem como base o modelo científico de Descartes, para construir um legado no outro extremo, o modelo holístico ou sistêmico, que por mais de dois mil anos, desde os tempos de Hipócrates, orientou a ciência, até meados do século XIX. O autor mostra como a Integração Estrutural pode ter cada um dos pés apoiados sobre os dois paradigmas, sem deixar de pertencer ao holismo. Oferece também uma base consistente para a reflexão e compreensão do caráter das próprias instituições que concentram e propagam o conhecimento gerado por Ida Rolf. Publicação autorizada a partir do original em inglês. Tradução: Armando Macedo.

 

© Sam Johnson 2006

Dra. Ida RolfA história dos primeiros trabalhos de Ida Rolf no campo da bioquímica, muito antes de criar a Integração Estrutural, foi sempre resumida. PhD por Columbia, uma década de trabalho no Instituto Rockefeller, alguns poucos artigos publicados, e então ela deixa o mundo da ciência, tomando tardiamente um caminho longo e sinuoso até chegar à criação do trabalho pelo qual todos nós a conhecemos.

Li recentemente algumas informações novas sobre o mundo em que ela viveu, e sobre o contexto no qual ela abraçou sua primeira profissão, que tornam sua história muito mais plena e rica. Permitem também uma apreciação da magnitude do salto dado no desenvolvimento da Integração Estrutural, além de nos oferecer alguns insights sobre o potencial e as armadilhas inerentes ao nosso campo de trabalho.

A Dra. Ida Rolf ingressou oficialmente no mundo da ciência médica em 1917, quando foi contratada para trabalhar no Laboratório de Química do Instituto Rockefeller para a Pesquisa Médica. Entretanto, a história na verdade começa antes.

Para entender a cultura na qual ela caminhou, a data importante é 12 de setembro de 1876. Neste dia, foi inaugurada a Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland. Graças em grande parte ao primeiro diretor dessa escola médica, William Welch, a figura individual mais importante da história da medicina nos Estados Unidos, a Johns Hopkins pôde mudar a face da ciência americana e da medicina e estabelecer um paradigma que domina a ciência médica no mundo ocidental até os dias atuais. A primeira década da vida profissional da dra. Ida Rolf também foi um produto deste mesmo paradigma.

Hipócrates e o holismo, primeira parte

A fundação da Johns Hopkins foi importante, em parte, por causa do caos existente na medicina americana durante a maior parte do século XIX. Foi um caos criado por um vazio. As práticas médicas que existiram largamente sem mudanças, desde os tempos de Hipócrates, começaram a ficar fora de moda, à medida que a emergência do método científico punha em dúvida sua eficácia. Entretanto, as descobertas científicas não eram acompanhadas pelo aparecimento de novas práticas que substituíssem as velhas terapias.

A grande ironia (em nosso campo e para muitos outros assim chamados novos paradigmas de abordagem da saúde), é que o paradigma que existia antes da revolução da medicina científica parecia-se muito com aquele que descreveríamos hoje como “novo”. Esse paradigma, que dominou o Ocidente e o Oriente Médio médicos durante mais de dois milênios, estava baseado largamente nos escritos de Hipócrates e seus colegas e estava firmemente baseado no princípio do holismo.

HipócratesHipócrates via a saúde como um reflexo do equilíbrio corporal, e a doença consequentemente como resultado do desequilíbrio. Desequilíbrio interno, causado por hábitos de vida, fatores ambientais, higiene etc., era o que conduzia à doença. A partir dessa idéia seguiu-se a crença de que, se um médico pudesse intervir de tal maneira a restaurar o equilíbrio no corpo, a doença poderia ser debelada. A Hipócrates, no quinto século antes de Cristo, e não a Hahnemann ou Sutherland ou Still ou Alexander ou Ida Rolf, pode ser atribuído o crédito de ter sido o primeiro a popularizar esta noção no Ocidente.

A abordagem da saúde promovida pelos escritos de Hipócrates era semelhante em espírito às de outras grandes tradições holísticas que existiram naquele tempo – a medicina tradicional chinesa e a medicina védica da Índia. Ambas existiram por milhares de anos antes de Hipócrates, e ambas destacaram o equilíbrio, apesar de seus sistemas de saúde divergirem enormemente.

Hipócrates destacou a importância do poder inato da pessoa doente para recuperar a saúde. Ele foi o primeiro médico ocidental a articular o que viria a ser conhecido como - “Vis medicatrix naturae” – o poder de cura da natureza. Ele também sugeriu, compreendendo o poder do sistema imunológico, que dieta, repouso, limpeza e higiene eram fatores que explicavam as diferenças individuais na resistência à doença.

Entretanto, havia dois problemas. Primeiro, muitos dos tratamentos então desenvolvidos eram agressivos e muitas vezes ineficazes. Purgantes, sangrias e cauterizações (por meio da queima da pele), frequentemente resultavam na morte do paciente. Segundo, não existia nenhum experimento feito para verificar se os tratamentos usados funcionavam. Esse problema do rigor – de submeter uma idéia e um tratamento a testes rigorosos – continuaria a assombrar o mundo do holismo durante séculos.

Para complicar as coisas, os médicos eram obrigados a especular sobre o que havia dentro do corpo. Dissecação era algo que não era praticado em humanos e assim o conhecimento sobre a anatomia do corpo era pequeno. Os gregos da época de Hipócrates viam com estranheza a dissecação, e então, mais tarde, durante a Idade Média, a Igreja simplesmente a proibiu. Nada mudou até que Vesalius, no século XVI, realizou dissecações e produziu ilustrações sobre o que encontrou, de modo que o funcionamento interno do corpo foi estudado e descrito pela primeira vez. Apenas por pouco escapou da morte por essa heresia.

Profissional certificado

Armando Macedo é profissional do Método Rolf certificado pela Guild for Structural Integration - GSI. Clique aqui e digite o nome do profissional no campo "find" correspondente a "Find Pratitioners" do site americano.

Atendimento: Rua Tuiuti, 2530 - conjunto 76, Tatuapé, São Paulo. Fones: (11)2097.1992 e (11)2768.1018.